quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Príncipe

Mas poxa amiga, ele era tão fofo! Eu sei que você já disse isso. Eu sei. Eu nunca tinha dito, até ele aparecer. No dia em que vi em uma rede social ‘Príncipe quer ser seu amigo...’ eu disse ‘Ele vai ser meu!’ e minha amiga ao lado riu. Mas eu sabia que seria, minha mãe sempre disse, ‘quando essa menina invoca com uma coisa, não tem quem lhe tire da cabeça’. E o Príncipe seria meu. Dali foram algumas conversas informais, estava decidido, era o homem da minha vida. Lindo, de um sorriso de quilômetros, mais alto, a ponto de eu poder usar salto tranquilamente, e acima de tudo, me chamava de neném. Mas que cacete, justo neném? E justo com essa voz bonita? Para de sorrir? Obrigada. Em quantas vezes você pagou esse sorriso? O tempo foi passando e seus arroubos de príncipe encantado continuavam. Até que um sábado, aquele sábado, aguardado pela semana toda, que eu acordava de manhã pensando, ah no sábado. O príncipe sumiu. Não atendia fixo, celular, rádio, sinal de fumaça, código morse, até telepatia eu tentei. Mandei uma amiga ligar, ele atendeu. Foi a primeira fagulha de incêndio, e eu vi a fumaça. Mas não admiti que havia fogo. Afinal, homem perfeito que é perfeito mesmo, conta uma desculpa tão boa, mas tão boa, que a gente ainda se sente culpada por ter xingado tanto ele, a mãe dele, os familiares deles e as amigas vadias dele. Ok, as amigas vadias a gente não sente remorso. No outro dia, como se nada tivesse acontecido, ele liga e diz ‘ah meu amor, eu dormi, o celular ficou no carro, só vi tuas chamadas hoje’. Na época eu me senti culpada. Afinal, ele era perfeito. Quem era eu para duvidar disso? E o fato de ter atendido minha amiga? Quem garante? Afinal, ela sempre foi invejosa. E eu me apaixonava. Mais e mais e mais. As amigas vadias que tinham os mesmos apelidos carinhosos que eu, e recebiam a mesma atenção? Para meu amor, isso é bobagem, eu só tenho olhos pra você. E eu me apaixonava. Mais e mais e mais. Até serenata ele fez, e eu cantarolava pelo elevador, pela rua, pela chuva, pela fazenda, ou numa casinha de sapê. Ele insistia em algo mais sério. E mais e mais e mais. Eu estava no céu. Mas quando tudo está bem, quando se está no auge, é que se cai. A amiga, a invejosa, a que riu quando eu disse que ele seria meu, a que ligou e ele atendeu, me mostrou mensagens de texto dele, o príncipe, o mesmo jeito doce, o mesmo carinho. Peraí, como assim? E a serenata? E o amor? E o ‘isso é bobagem, meu amor’? Ah vida, você ta de brinks with my face? Só pode. E aquelo papo todo de amor eterno? E aquela história de perfeição? Cadê? Cadê?

Eu chorei, me descabelei, ele se explicou, deu mil motivos. Eu não acreditava, mas não queria desacreditar. Afastei o quanto consegui. E ele continuava. Ligava e se importava. Como eu pude acreditar? Sempre foi assim, mas hoje parece tão vazio, tão seco, tão automático. Amor era mais banal que cerveja no happy hour pra ele, mas pra mim não, amor era a essência de tudo. E ele chutou minha essência pra Vênus. Vênus mesmo, o nome daquele drive-in ridículo que ele tentou me levar, de todo jeito. Até que dei o basta. Chega, menina, chega de ser boba! Já sofreu, já chorou, acabou. Pra todo mundo você é a inteligência em pessoa, vai ser burra quando é seu próprio interesse? Tá na hora de virar gente, menininha. Você foi a bonequinha, foi a doçura, viu no que deu? Viu? Agora pronto, adulta. Chorei a noite toda, acordei lavada. A partir daquele dia, eu seria outra. Todos sentiram a diferença, inclusive o príncipe. Eu não ligava mais, as mensagens com musiquinha sertaneja de amor? Passado. Coraçãozinho em redes sociais? Chega né? Não me importava mais. As amiguinhas vadias continuavam, só que dessa vez eu não perdia mais o sono. Continuem, vamos. Ele é de todas nós. Mas nunca vai ser exclusivo de nenhuma de vocês. Eis que surgiu a mudança: ele começou a se importar, mudou comportamento, as atitudes, o jeito de se vestir melhorou, aprendeu a beber sem dar vexame. Eu apenas observava e me perguntava ‘porquê?’. Agora? Depois de tudo? Eu era uma menina, eu estava na sua mão, seu babaca. Você me ensinou da pior forma, que ser ingênua e boba apaixonada é lindo, só em contos de fadas. Porque lá
os príncipes não tinham celular, nem redes sociais, nem amigas vadias, nem carros do ano. Agora eu sei, que todo seu amor é meu, toda sua dedicação, todo seu sorriso de quilômetros. Minha cabeça diz ‘não, garota, já sofreu uma vez, chega!’. Meu coração diz ‘olha pra ele, ele ta te olhando faz horas’. E minha intuição diz ‘uma vez cachorro, sempre cachorro... era tão lindo cachorro...’. O mal de toda mulher é nunca se conformar. Com nada. Com ninguém. O fato é que não existe solução. Existem várias saídas, mas nenhuma delas me satisfaria. Olho pro príncipe hoje e só sinto o desencanto. De tudo o que senti, todo a minha explosão de sentimentos, tudo de mim, e ele o quê? Ele nada. E agora, que eu me desfiz do meu tudo, ele descobre que quer doar o tudo dele? Eu pensei no nome dos nossos filhos, príncipe. Eu sentava no canto do quarto e imaginei nós dois deitadinhos vendo filme, um jogando pipoca no outro. Sente essa dor? Não, você nunca vai sentir. Apesar e além de tudo, devo mesmo é te agradecer. Não por ter me iludido, por ter me feito acreditar que príncipes existiam, não por ter me feito feliz por alguns momentos, não por ter usado os mesmo apelidinhos com minha melhor amiga, mas por ter me feito perceber que você não é e não chega nem perto de ser um príncipe, mas eu sou sim, uma Princesa. E o reino, meu querido, é todo meu.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"Segure a mão de alguém – de um amigo ou de um estranho. Não espere só amar quando a pessoa certa aparecer. Quanto mais você amar, maior é a possibilidade de tudo acontecer, porque seu coração começa a florescer. E um coração florescendo atrai muitas abelhas, muitos amantes."

(Osho)